Senta que lá vem história

A história é sobre duas pessoas que o universo uniu pra contribuir com um pouquinho com a regeneração planetária!


Mas quem são essas pessoas?
Um delas é a Priscilla Saldanha, Pri, para os íntimos. Ela tem uma voz arretada de linda que eu amo ouvir, inclusive!
Ela é formada em Marketing e trabalha com isso ainda hoje, mas agora só faz marketing pro bem do mundo. Ela saiu de Recife e veio trabalhar em São Paulo. Tava tudo bem, até que surgiu uma oportunidade de ver como as pessoas vivem do outro lado do oceano e ela foi parar em Dublin. Lá, depois de alguns atropelos, porque a vida sempre tem disso, ela saiu da zona de conforto e esse saculejo deu forças pra ela começar um processo de autoconhecimento. Daí, ela foi aprender sobre permacultura, fez vivências em ecovilas e se descobriu plantinha, não péra, se descobriu como parte da natureza. E pra completar esse ciclo e fazer surgir a nova Pri ela foi andar e andar e andar no Caminho de Santiago. Acabou que ela ficou piradinha sobre o que estamos fazendo com e no mundo! Tenho invejinha, queria, um dia vou!

Vou fazer uma pausa na história dela e contar um pouco da minha.

Eu nasci em com um pai inventor. Ele inventa máquinas e um dia inventou uma fábrica de aquecedores solares. Pra quem não conhece, são umas placas que captam energia térmica do sol e esquentam água pra gente tomar banho sem gastar energia elétrica. A fábrica fica em Vila Velha-ES, nunca foi uma grande indústria e meu pai não é rico. Por causa da vida louca que ele um dia teve em São Paulo, quis montar uma fábrica que fosse perto de casa e o universo colaborou com essa parte. A fábrica é no mesmo quintal que a casa e ai eu cresci junto com a fábrica. Pra manter a fábrica durante várias crises que o país viveu a gente aprendeu a fazer economia e a comer plantas estranhas que brotavam no quintal da chacará dos meus avós... hoje chamam de PANCs. Isso e mais um monte de coisas, que depois eu conto com detalhes, fizeram eu ser uma pessoa um pouco mais consciente sobre o mundo. Virei arquiteta, depois assumi que eu também era artista plástica e comecei a fazer arte da sucata da fábrica. Então, eu me casei e vim morar em São Paulo e isso foi o começo de mais um saculejo. Sair da zona de conforto, ter a casa assaltada e dentre otras cositas más me fez começar a repensar o consumo. 

A vinda pra Sampa também fez o universo começar a me juntar com a Pri. Ela trabalhou com o meu marido. Uma vez ela veio conhecer o meu Atelier, mas ela nem deu muita bola pra mim, achou só meio legalzinho! RAR RAR
Já depois de todas as mudanças de vida, ela voltou e enxergou o que é fazer arte com sucata. Sim, ela voltou, ela não ficou morando no exterior. Ela até podia, mas, como eu, ela ainda acha que aqui tem jeito e que nós somos peças importantes pra esse jeito, que nós com a consciência que temos, temos obrigação de sermos agentes de regeneração planetária! Além disso, somos brasileiras, não desistimos nunca e amamos um abraço!

Mas... e os canudinhos?

Então, no fim do ano passado, 2017, quando nos reencontramos e trocamos devaneios sobre a produção de lixo no mundo ela me contou que tava procurando alguém que fabricasse canudinhos. Porque ela voltou e foi morar em uma praia em Niterói e lá ela pode vivenciar as tragédias que os canudinhos causam no mar. Não só os canudinhos, mas os micro lixos em geral, tipo os malditos mexedores de café! Dai, ela abriu a bolsa e me mostrou um canudinho. Eu olhei, olhei e falei: Pri, isso eu acho que consigo fabricar! 

Em janeiro eu fiz a primeira micro-produção de canudinhos e foi um sucesso. Ficamos muito felizes. Mas é uma felicidade compartilhada com o mundo. Cada canudinho adotado é um pontinho de esperança que nasce pro mundo. Eu não tenho máquinas modernosas, nem mega tecnologia e nem verba pra fabricar os canudinhos, vou mostrar pra vocês em breve. Mas, eu quis muito ter todo o trabalho e bolhas nas mãos pra contribuir com esses pontinhos e com essa ideia de regeneração planetária. 

Os canudinhos são feitos com aço-inox. Eu compro um tubinho comprido grandão, corto um por um, depois tem que rebarbar um por um, depois tem que dar a textura, essa parte é um pouco mais fácil, porque meu pai construiu uma máquina e depois eu lavo um por um, confiro se todos estão bem feitos e ai sim vocês podem adotá-los!
Ah, mas não tem sua marca nos canudinhos. Ainda não tem não, porque como eu disse, sou só uma pessoa fazendo tudo isso e tentando minimizar ao máximo a produção de resíduos tóxicos, então meu plano é fazer marca d’água nos canudos, pra não usar tintas possivelmente tóxicas.

Mas como faz pra limpar?... pois é... todas as escovinhas que encontrei são feitas de plástico: oh no! Eu tive a ideia de fazer uma com haste em alumínio puro com as cerdas de bucha vegetal ou tecido de algodão, que são biodegradáveis. Se a bucha acaba, dá pra costurar um pedaço novo, o mesmo com o tecido e o alumínio sendo puro ele pode ser facilmente reciclado, igual anel de latinha! 

Ah, mas como eu vou carregar meu canudo direto jogado dentro da bolsa ou da mochila? A gente também pensou nisso, as da minha lojinha são feitas com muito amor e carinho pela minha mãe e pela minha sogra. Eu levo retalhos do Banco de Tecidos, que é um lugar lindo e elas costuram capinhas super fofas.  Mas e quem tá longe? Nesse caso incentivamos costureiras locais. Vale aquela sua tia joia, uma avó lindinha, uma super mãe ou alguma costureira bem legal que você conheça e que vai adorar apoiar o projeto. Apoiar economias locais é muito importante para a sustentabilidade!

Ah, mas só o canudinho não salva o mundo! Não mesmo. Só que por causa dele a gente começa a enxergar todo o resto. Sério! E começa a ficar pirado em MEODEOSDOCEL como é possível produzir tanto lixo. A gente começa a ver que a escova de dentes também é um mal horrível, porque se a gente não quer lavar o canudinho com plástico, também não quer lavar os dentes com plástico. Ai compra a escova de bambu. Eu ainda não tenho, porque também não dá pra jogar tudo que a gente tem novo fora por causa disso. Tem que ir mudando aos poucos. Ir deixando de consumir. Por exemplo, deixando de consumir tudo embalado em plástico, arroz no plástico, feijão no plástico, alface no plástico, fruta no plástico e por ai vai... 

Eu tenho dito que o canudinho abre porta pra drogas mais pesadas. Porque depois que a gente começa a andar com o canudinho, começa a diminuir o lixo que produz por ai. Eu mesma, depois do canudinho, fiz guardanapo de tecido, fiz sacolinhas de tecido pra ir à loja de grãos, comecei a fazer meu próprio detergente de lavar a louça com sabão de coco, usar vinagre como amaciante, meu sonho conhecer alguém eu produza vinagre pra só recarregar! E com essas pequenas mudanças de rotina fiz amigos e estou conseguindo produzir bem menos lixo.

E é tudo isso que existe dentro de cada canudinho que eu fabrico. Um por um eu vou fazendo e pensando que ele vai virar uma luzinha na vida de alguém, que vai despertar e começar a ajudar o mundo! Então, saiba que tem muito, muito amor em cada um deles, use esse amor e o espalhe pelo nosso mundo! 

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